V SEMINÁRIO INTERNACIONAL DESFAZENDO GÊNERO
V DESFAZENDO GÊNERO

Conhecimento dissidente, cura coletiva e novas modulações da experiência

22 a 25 de novembro de 2021 - Online
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Conheça nossos SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

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Simpósio Temático

este simpósio temático tem como objetivo principal tratar da permanente importância dos estudos das masculinidades para as ciências sociais, visando estimular discussões sobre o tema por meio do intercâmbio teórico-metodológico de áreas do conhecimento como a antropologia, a sociologia, a educação, a comunicação, a filosofia, entre outras.
Quais são as formas de reinventar a tradição e como os enredos do corpo podem afetar as expressões culturais? a partir das tradições como invenções, procuramos neste simpósio temático reunir pesquisas que apresentem reflexões sobre performances, identidades e oralidades em torno dos corpos e das manifestações regionais. dessa forma, buscamos encontros entre gênero, arte e sexualidade nos enredos da tradição, sobretudo, através da poética popular que tece estéticas e políticas do corpo em suas múltiplas existências na cultura. com o objetivo de aproximar o debate de gênero e sexualidade do campo das culturas populares, pensamos em tradições transviadas e no seu potencial criativo de fazer não apenas o corpo como suporte de uma herança cultural, mas como obra a ser inventada no fazer da memória pelas dissidências sexuais e de gênero encorporadas.
A ocupação da mulher no campo esportivo reflete uma das conquistas femininas do último século. entretanto, assim como em outros espaços sociais, esse campo apresenta desigualdades entre o masculino e feminino que perpassam por representações sociais naturalizadas a respeito dos corpos. neste simpósio, pretendemos reunir pensamentos dissidentes que permitam desconstruir o imaginário coletivo de segregação nos esportes e nas práticas físicas, especialmente, acerca das mulheres, mas que também repercute a outros sujeitos que sofrem pela dicotomia dos gêneros e por representações do cis-heteropatriarcado.
O simpósio tem como objetivo reunir trabalhos que refletem sobre as relações entre arte, gênero e sexualidade. essas articulações têm se constituído em potentes ações políticas e artísticas para resistir ao conservadorismo, ao fundamentalismo e às normas de gênero e sexualidade. as práticas artísticas produzidas pelas dissidências sexuais e de gênero, em geral interseccionadas com outros marcadores sociais das diferenças, a exemplo de raça, classe, capacitismo e padrões corporais, entre outros, têm produzido impactos na cena artística e também nos estudos das dissidências sexuais e de gênero da atualidade. quais são esses impactos? como eles se apresentam? como eles podem ser pensados? como essas produções artísticas desafiam o campo das artes e os seus estudos? quais gramáticas e inteligibilidades outras são desde aí promovidas? quais são os conhecimentos, as curas, as agências, os processos de subjetivação e as políticas produzidas pelas produções artísticas das dissidências e seus estudos? para pensar sobre essas perguntas, o simpósio terá a proposta de acolher artistas e suas produções, em diversas linguagens, e estudos acadêmicos sobre esse campo.
Propomos discutir processos criativos artísticos como possibilidade de poéticas existenciais e de resistência nas diversas esferas artísticas e na educação considerando a diversidade de gênero.
Os desdobramentos dos movimentos feminismos na contemporaneidade colocam em debate qual o papel da internet neste processo. tal discussão assume relevância, considerando o uso das mídias sociais como instrumento político que tem possibilitado articulações flexíveis. serão bem-vindos trabalhos que reflitam sobre a articulação das mulheres nas redes socias em torno da contestação de histórias e trajetórias universais, da ruptura com processos de silenciamento, das violências sofridas e ancoradas no sistema patriarcal-racista.
Em uma sociedade na qual é estruturada pela desigualdade de classe, raça e gênero o cenário de formação curricular brasileira, deveria servir como um dispositivo de mudança social. atualmente, o currículo vem servindo como uma ferramenta de manutenção de poder e deste pensamento hegemônico, cis heteronormativo, branco e europeu. este simpósio temático acolhe trabalhos, reflexões, relatos e narrativas dissidentes que repensem, avancem e questionem as perspectivas atuais com o intuito de mudança e em busca de contribuir com uma formação curricular brasileira comprometida com a luta antirracista e dentre outros corpos que são marcados e subalternizados e colocados às margens nos contextos de graduação e pós graduação no brasil, sejam elas públicas ou privadas.
Séculos de genocídio atravessam as existências dos povos e sujeitos sexo-dissidentes, vítimas do racismo e socialmente oprimidos. a conjuntura da covid – 19 desvela e aprofunda sistemas de exploração, opressão e dominação, mas também, as formas de organização da sociedade civil para o enfrentamento do genocídio, do epistemicídio, da fome, do desemprego e da extrema pobreza. a partir dos conhecimentos e experiências elaborados e vivenciados, em oposição ao sistema cisheteropatriarcal e racista, desejamos construir as trocas teóricas, políticas e metodológicas que formulam e aprofundam insurgências ao conservadorismo colonial-capitalista, que cerceia vidas, hierarquiza formas de viver e desqualifica os saberes insubmissos. ampliando saberes resistente, convocamos a participação em nosso simpósio de todes indignadas com as perdas físicas e simbólicas que nos atravessam historicamente e se aprofundam nesse contexto marcado por profundos retrocessos para o alcance do bem-viver. buscamos conteúdos que denunciem o que secularmente foi naturalizado e apresentem alternativas de mundo possíveis. lembrando os dizeres da escritora conceição evaristo: eles combinaram nos matar, mas nos combinamos não morrer.
A perspectiva desse st tem como cerne acolher trabalhos que discutam como as “imagens de controle” collins (2019), ou estereótipos, incidem sobre mulheres pretas, modelando a forma violenta como são lidas e naturalizando as injustiças sociais que recaem sobre elas. assim utilizadas elas servem como justificativa das opressões de raça, gênero e classe sobre essas mulheres; objetificando e hierarquizando suas subjetividades. ambicionamos trazer para a discussão trabalhos que debatam as leituras acerca de corpos negros femininos em suas diferentes linguagens, tanto através das tentativas de altericídio como por suas agências e protagonismos.
No presente simpósio almejamos um diálogo sensível com diferentes campos do saber. propomos dialogar sobre os impactos das atuais crises sanitária e econômica na vida de travestis e transexuais, avaliando a condição dessa população do ponto de vista de gênero, raça, classe, sexualidade, escolarização e geração, para que consigamos entender o lugar delas (es) dentro do cishéteropatriarcado capitalista hegemônico. nesse sentido, esperamos receber pesquisas que trabalhem com: vivências, experiências individuais e/ou coletivas da população trans em tempos de pandemia da covid-19; apresentem possibilidades de cura para um cistema que historicamente estigmatiza, exclui e oprime corpos/corpas travestis e trans; e discutam sobre a importância dos movimentos sociais de travestis e transexuais em prol de políticas públicas e ações afirmativas no contexto atual.
Este simpósio temático tem o objetivo de entrelaçar múltiplas perspectivas de dança e gênero e seus processos de criação, performatividade, formação, identificação, documentação, produção de conhecimento e preservação de obras, arquivos, memórias e (auto)narrativas. é um espaço de partilha, discussão e acolhimento de trabalhos artísticos e produções teóricas com objetivo de levantamento de dados, discussão de teorias e ideologias, experimentação de possibilidades compositivas e visibilidade de saberes dissidentes. consideraremos cada corpo(a) e seus movimentos como dispositivo de formulação de conhecimento sobre identidades de gênero, sexualidades, raça-etnia e deficiência, tendo como zonas de interesse processos estéticos, territorialidades, ativismos, artivismos, comportamentos corporificados, repertórios e identidades coletivas. o desejo é reunir pessoas acadêmicas, artistas, produtoras e gestoras culturais para pensar metodologias, agências, processos de subjetivação, representações políticas, ações coletivas e políticas públicas no enfrentamento às violências e a intolerância às diferenças na dança.
O simpósio temático “democracia erodida: rearticulações e resistências de gênero, sexualidade” pretende reunir estudos, pesquisas e reflexões cuja abordagem articule o debate sobre a crise das democracias contemporâneas através de uma mirada dos estudos de gênero e sexualidade. serão aceitos trabalhos produzidos em diversos campos do saber (antropologia, direito, educação, psicologia, saúde, serviço social, etc.) e que operem com diferentes perspectivas teóricas: ética e filosofia política; estudos foucaultianos; estudos pós-estruturalistas; estudos culturais; políticas de identidades e pós-identitárias; estudos etnográficos, relatos de experiência, etc. interessa-nos compreender as fraturas nos indicadores de solidez democrática e como seus efeitos recaem sobre corpos dissidentes nos parâmetros normativos sexuais e de gênero, tais como: liberdades individuais, livre expressão das dissidências de gênero e sexualidade, erosão da percepção de normalidade democrática, perseguição e censura cultural no contexto brasileiro e latinoamericano. inspirados em foucault, imaginemos as relações de poder e as disputas que lhe constituem como uma rede submetida perenemente a forças que a tracionam para todos as direções. algo como um cabo-de-guerra não linear (rizomático) disputado por inúmeras pessoas, mas que elas inelutavelmente dependem de um solo comum que as sustentam. com efeito, a democracia é, aqui, pensada metaforicamente como este solo, sólido, previsível, que obedece um rito, sobre o qual se lançam as lutas de sentidos ontológicos que conferem ou destituem sentido de humano às experiências dissidentes de gênero e sexualidade. se a disputa pelo nosso estatuto de vida vivível já um imperativo da luta coletiva em um estado de normalidade democrática, como reorganizar estratégias de coalizão e lutas sobre a democracia enquanto um solo que hoje se faz instável, movediço e rachado?
O simpósio temático tem como pretensão mobilizar pesquisas que investiguem o direito brasileiro enquanto produtor de subjetividades e de posições de sujeitos. aborda, então, propostas que contemplem estudos relacionados a produção de subjetividades, mediada pela corporalidade, a partir de praticas legislativas, texto normativo, ensino do direito e praticas profissionais juridicas."
Na observância da crescente publicização de práticas de diversidade e inclusão nas organizações - compreendendo organização enquanto uma associação de pessoas que combinam esforços em torno de um propósito comum (empresas, escolas, entidades, sindicatos, entre outros) - indagamos: seria essa uma “nova pandemia”? fazendo uso dos conceitos de “superinclusão” e “subinclusão”, compreendidos como novos dispositivos para o governamento de identidades dissidentes da norma capitalista, racista, corponormativa e cisheteropatriarcal, a proposta do presente simpósio tem por objetivo discutir pesquisas que analisem tais discursos como uma nova maneira de normalizar o que pode vir a ser aceito como diversidade.
Objetiva-se discutir a divisão do trabalho entre os sexos, bem como identidade e diversidade sexual e de gênero no mundo do trabalho, na produção e divulgação da ciência e da tecnologia (c&t) e na educação profissional e tecnológica. busca-se identificar e analisar, histórica e socialmente, os desafios, conflitos, avanços, permanências e retrocessos desses fenômenos tendo como lócus o mundo do trabalho doméstico e assalariado, as relações sociais na educação profissional e tecnológica, e no âmbito das ocupações e profissões.
Este simpósio temático acolherá trabalhos que discutam as múltiplas questões relacionadas às dissidências de gênero e sexualidade nas literaturas de língua portuguesa e espanhola. cientes das práticas históricas de patologização, invisibilização e silenciamento, tanto na produção quanto na crítica da literatura, as quais produziram uma série de violências às experiências e escritas homolesbostrans, tentamos aqui ‘desaquendar’ obras e autoras/es que tematizem ou enunciem vivências e experiências de indivíduas/os dissidentes de gênero e sexualidade. interessa-nos desde a produção mais afinada com o discurso médico-legalpatologizante (invocando este discurso à arena textual e o confrontando), que configuram aquilo que gabriel giorgi denomina como “sonhos de extermínio” (2004), passando pelas obras de caráter pornográfico, até as mais recentes escritas que enunciam o orgulho, a resistência e os afetos dissidentes.
As relações de gênero no espaço educativo da eja – educação de jovens e adultos – carregam marcadores sociais como trabalho, família, maternidade e educação. qual o lugar das mulheres nesse espaço? como a educação de jovens e adultos tem sido um espaço de formação e emancipação para essas mulheres? é urgente discutirmos relações de gênero nos espaços e nas práticas sociais. o recorte educativo da eja se dá por ser um ambiente educativo que carrega significado e significações diferentes da escola básica e formal. nesse simpósio temático, no diálogo entre eja e gênero, receberemos trabalhos que discutem, investiguem e tragam reflexões sobre o campo epistêmico da eja e gênero. através de pesquisas bibliográficas e/ou empíricas, nosso simpósio temático busca agregar às discussões sobre a categoria gênero.
A proposta para este simpósio temático que aqui se constrói é a de discutir infância e o que possa envolver a produção escrita dentro das epistemologias trans, principalmente com o olhar mais aberto em termos de autoria. os estudos que apontam novas epistemologias têm tido um crescimento e adesão significativa neste século, seja as que destacam epistemologias de matriz africana e afrodescendente ou as indígenas. as epistemologias trans vão no mesmo caminho de destacar novas vozes e linguagens que agora conseguem aparecer, tanto no terreno científico ofertando aos leitores e estudiosos a necessária compreensão de termos, nomes e realidades antes não valorizada, e até discriminada, pelo mercado editorial e as ementas de disciplinas de humanidades, como sociologia, história e antropologia, mas também em outras possibilidades de leituras não necessariamente de cunho científico. foi preciso os movimentos sociais engajados e o adentramento de pessoas em cursos superiores para que fosse possível uma abertura e visibilidade positiva destas autorias. ao mesmo tempo, as temáticas dos estudos têm se aberto a realidades antes não discutidas, e até certo ponto, não se apresentando como realidade possível do olhar, como a realidade de crianças e adolescentes em espaços como a casa, a rua, a escola. vertentes teóricas como os estudos queer e pós queer com estudos de dissidências de gênero se destacam em conjunto com os que envolvem as interseccionalidades, ou seja, os atravessamentos de temáticas não incluídas nos primeiros estudos sobre a população lgbtqia+, com destaque a pessoas t (trans, travestis, transexuais, drag-queens...), muito além de estudos sobre identidade de gênero, mas sim que incluem direitos, cuidados, saúde e doença, principalmente o adoecimento mental, além das modificações corporais e os cuidados para com as performatividade apresentadas na realidade de pessoas trans nos espaços de socialização. é uma proposta de escuta e debate acerca das epistemologias trans/travestis com foco na infância e etapas de vida dessa população, e com isso compreender, perceber, entender outras possibilidades de construção enquanto "ser criança", desde a perspectiva queer a pós queer, interseccional e transdisciplinar.
Uma vez que se entende o conceito de cânone literário, é evidente a exclusão da escrita de sujeitos dissidentes de gênero, raça, classe e sexualidade na sua formação histórica, em um mesmo contexto no qual privilegiou-se apenas aquilo que o homem branco, heterossexual, de classe média urbana e cristã produziu enquanto arte, literatura e cultura (louro, 2000). nesse sentido, interessa-nos neste simpósio, abordagens e perspectivas críticas que problematizem o cânone literário, o cânone da crítica, o cânone da historiografia e estabeleçam um diálogo com a literatura enquanto um espaço no qual diversas vozes estão em luta por representação. vozes essas que ao “escreviver” suas histórias, reconduzem representações reais de enfrentamento, de direitos, de alegrias e dramas que o cânone literário eurocêntrico, patriarcal e heterossexista não reconheceu e ignorou.
A contemporaneidade tem sido cenário de discussões há muito necessárias acerca do controle e cerceamento das subjetividades e corporalidades dissonantes – contexto esse que historicamente se alicerça como uma “pandemia” não declarada. torna-se, pois, urgente uma revisão crítica e contracanônica no que concerne às relações de saber-poder regidas pela colonialidade que instituem e regimentam tal pandemia e seus desdobramentos. esse exercício vem sendo realizado no grupo de estudos em línguas e literaturas estrangeiras (gp-elle – cnpq/uesc), também aberto às literaturas em língua portuguesa, a partir do qual propomos este st. nesse sentido, acolhemos propostas de cunho teórico e/ou militante que dialoguem, baseadas na literatura e/ou na cultura, com agenciamentos, subjetividades e denúncias de violências direcionadas aos gêneros, às sexualidades, às classes, às religiões, às raças e às etnias, bem como às corporalidades e subjetividades dissonantes, evidenciando o entrecruzamento de saberes e resistências.
O simpósio gênero, raça/etnia, e sexualidade na formação docente visa problematizar os discursos que circulam na sociedade, sobretudo nos espaços de educação não escolar, e em diferentes práticas sociais, com ênfase nos discursos estéticos e dos corpos, destacando nessas textualidades as questões feministas com abordagem interseccional. busca ainda, refletir sobre as vivências de sujeitos socialmente vulneráveis a partir da perspectiva da cultura, saúde e direitos humanos, com vista à formulação de pedagogias feministas decoloniais, produzindo epistemologias que possam gerar produções de conhecimentos e práticas pedagógicas inclusivas e libertárias.
No simpósio temático ora proposto, cabem trabalhos que apresentem e debatam imagens e discursos identitários e representacionais de lgbtqia+ presentes ou silenciados no percurso histórico. tratar-se-á de pesquisas no âmbito dos estudos culturais, da retórica, da análise de discurso e áreas afins, envolvendo arte e cultura, a fim de propiciar reflexões sobre sexualidades e gêneros dissidentes. implica dizer que o objetivo precípuo é analisar presença ou ausência de discursos contra hegemônicos, isto é, transgressores da heteronormatividade nos saberes e poderes estéticos como expressão de subjetividades e corpos. em resumo, interessa no simpósio questionar e discutir a (não)relação da produção artística e comunicacional no brasil com as identidadesinterseccionais, fluidas e múltiplas de lgbtqia+.
Sabe-se que as múltiplas categorias de diferença marcam os processos identitários da humanidade, sendo essas questões produzidas em meio a jogos políticos, sociais e culturais. com perspectiva interdisciplinar, a proposta deste st é acolher trabalhos que envolvam pesquisas a partir de trajetórias pessoais ou biográficas pelo viés dos referenciais interseccionais, ou seja, trabalhos que, em suas mais diversas modalidades, considerem as discussões entre gênero, raça, classe, capacitismo, etarismo, dentre outros tantos marcadores sociais da diferença e as construções sociais e culturais das subjetividades e dos distintos modos de ser por meio da escrita de si e/ou da/o/e outra/o/e. de corpos dentro e fora da norma.
Este simpósio temático pretende discutir e refletir a relação dos diferentes corpos, do gênero, sexualidades, raça, classe, religiosidade, isto é, da intersecção de ambos para pensarmos as relações de poder, as discriminações, violências e privilégios. visto que tais facetas identitárias não se apresentam isoladamente, mas estão inter-relacionadas. assim, corpos dissidentes, corpos negros, fora da norma binária, cisgênera e heterossexual sentem e se afetam cotidianamente pelas relações de poder que potencializam, estruturam e reproduzem inúmeras formas de desigualdades. desta forma, propomos este simpósio temático com o intuito de convergir diferentes discussões que reflitam sobre a gama de desigualdades estruturais que foram ampliadas na pandemia, como o racismo, sexismo, misoginia, lgbtfobia, entrelaçadas por diferentes conexões.
Este simpósio temático (st) visa acolher pesquisas, tanto empíricas quanto teóricas, que versam sobre estratégias dos movimentos sociais lgbtqia+ para a conquista e efetivação de direitos e para a formulação de políticas públicas. as pesquisas podem versar sobre estratégias utilizadas nas gestões petistas quanto aquelas que vem sendo desenvolvidas no atual contexto autoritário do país. também importa a submissão de trabalhos que contribuam para o debate sobre: movimentos sociais e suas relações com o estado; judicialização dos direitos sexuais; dissonâncias no interior dos movimentos sociais quanto aos diferentes repertórios de ação e políticas públicas para a população lgbtqia+. por fim serão bem-vindas as discussões sobre a importância da perspectiva intersecional na conquista e efetivação de diretos.
O presente simpósio tem como objetivo refletir sobre o cuidado na pandemia da covid-19 e sua afetação nos corpos de mulheres no brasil e em outros países. a pandemia expôs as assimetrias de gênero, raça/etnia, classe e sexualidade já presentes, ampliando a precariedade dos corpos não passíveis de luto, como aponta butler (2019). no brasil foi gerida por uma necropolítica do governo federal atual, que utilizou uma política de/da morte aos grupos subalternizados, como povos indígenas e ciganos, população lgbtqia+, população negra, entre outros. dessa forma, o presente simpósio espera receber trabalhos que tratem sobre as diversas experiências de enfrentamento e resistência de mulheres em relação ao cuidado de si, dos corpos e dos territórios, durante a pandemia da covid-19 a fim de comparar as distintas realidades existentes no globo, reconhecendo a multiplicidade de saberes.
Na sua terceira edição (ii sidg, st 59, iii sidg, st 13), o st, compreendendo que “o papel do estado e do direito é o de acolher – e não o de rejeitar – aqueles que são vítimas de preconceito e intolerância” (barroso, 2008, p. 455), tem por finalidade, a partir de uma análise dos textos legais e das decisões judiciais, identificar como o estado brasileiro (mal)trata a população lgbtqiap+, negando-lhe direitos e colocando-a em uma situação de inferioridade sociojurídica, uma vez que a ausência de uma regulamentação normativa torna sem eficácia o princípio constitucional da igualdade, negando validade, aplicabilidade e vigência ao marco teórico da norma paradigmática: a dignidade da pessoa humana.
A temática que envolve racismo, patriarcado e sexualidades em uma perspectiva interseccional considera que esses eixos não se manifestam sozinhos, mas que se entrelaçam formando sistemas de opressão junto ao capitalismo: formam os eixos de desigualdades de raça, gênero/sexualidades e classe, no qual a raça está no topo da cadeia que estrutura a opressão. a temática, embora pareça estar em pauta destacada, tem sido negligenciada nas políticas educacionais, visto que essas políticas não se organizam a partir de uma articulação entre ativismo e vontade política para permitir avanços significativos, dando a falsa sensação de que o cisteheteropatriarcado não causa danos e prejuízos emocionais que refletem no social. visto isso, os trabalhos devem apresentar as discussões de educação e os eixos de opressões.
Por meio de pedagogias queer na promoção de desestabilizações de contextos excludentes e autoritários, o objetivo do simpósio temático (st) está em romper com os cânones do saber-poder e promover um conhecimento dissidente, desestabilizando e desconstruindo a (re)produção de uma educação normalizadora. Os estudos queer não procuram propor classificar e nomear diferenças (corpo, gênero, sexualidade), mas sim, celebrá-las, promover deslocamentos e fissuras na cisheteronormatividade. sua postura pós-identitária sublinha as várias possibilidades de existência, de desejos e de comportamentos diante da revolução da diversidade sexual que respiramos cotidianamente. assim, o referido st se constitui em um espaço para estudos que se dediquem a problematizar a norma, em eixos temáticos transgressores como: diversidade corporal e capacitismo; gêneros dissidentes; novas configurações de família; educação não androcêntrica; desconstrução de identidades estáveis em contexto da educação escolar e não-escolar bem como as pedagogias surgidas a partir dos movimentos sociais identitários e pós-identitários, como lgbt+, feministas e no enfrentamento às violências (físicas, simbólicas, sexuais, dentre outras).
A gordofobia é forma de uma violência sistemática e, como tal, um preconceito estruturalmente organizado na sociedade, fruto de uma relação saber-poder. romper com os atravessamentos da colonialidade e seu modus operandi cerceador, subjugador e violentamente controlador de corporalidades dissidentes apresenta-se, então, como uma tarefa urgente. portanto, entendemos ser importantíssimo discutir sobre gordofobia e seus entrecruzamentos no st pesquisa gorda. esclarecemos que o título desse st alude ao primeiro grupo de estudos sobre o corpo gordo no brasil, atuante e militante em perspectiva transdisciplinar, com objetivo central na despatologização das corporalidades gordas. nesse sentido, acolhemos para este st propostas que, tendo por foco de estudos as corporalidades gordas, busquem dialogar em viés interseccional com questões de gênero e sexualidade, culturais, antirracistas e sociais, por meio de um viés antigordofóbico militante
O que compreendemos por política criminal é o conjunto de procedimentos pelos quais a sociedade sistematiza suas reações aos fenômenos desviantes, elegendo valores que a orientam como objeto de tutela jurídica. nos modelos mais difundidos, o gênero oscila entre o punitivismo, o abolicionismo e o minimalismo. neste st, propomos discutir a política criminal como mecanismo de regulação de gênero, reunindo trabalhos que tratem de temas como aborto, estupro, ato obsceno, lgbtqifobia, violência doméstica, feminicídio, prostituição, encarceramento, dentre outros que venham a pautar esse debate, notadamente no contexto da pandemia da covid-19 e seus desdobramentos sobre essas questões.
As percepções que envolvem o corpo intersexo ainda são fortemente pautadas e coproduzidas pelo saber biomédico. no brasil, esse fato se evidencia, além de outros meios, pela resolução 1664/03 do conselho federal de medicina, que determina tratamentos e intervenções sobre corporalidades intersexo e autoriza a realização de procedimentos médicos precoces, desnecessários e não consentidos pelos próprios sujeitos. tais procedimentos operam numa lógica de normalização dos corpos conforme parâmetros binários de gênero. partindo de uma ética da despatologização e das lentes dos direitos humanos, este simpósio temático tem como objetivo discutir, sob uma perspectiva interdisciplinar, as violações de direitos humanos produzidas pela patologização do corpo sexuado, mais particularmente dos corpos intersexo.
Nas estruturas de uma sociedade de classes, patriarcal, heteronormativa e racista o cenário de assistência obstétrica mundial têm sido atravessado por inúmeras transformações e contradições nos últimos 30 anos que se atrelam à transição de uma abordagem técnica, restrita à especialistas e raramente aos corpos que gestam, para uma nova concepção cultural e política do direito a um parto e nascimentos livres de violências que envolvem para além dos direitos reprodutivos os debates sobre o ser, o ter, o nascer e o cuidado como ações coletivas e políticas. este simpósio temático acolhe relatos, reflexões, evidências e narrativas dissidentes que repensem, avancem e questionem as perspectivas atuais de mudança e superação da violência obstétrica bem como a transformação da assistência nos contextos de saúde legalizados pela sociedade e pelo estado, sejam eles públicos ou privados.
A pandemia da covid-19 se instala no país entre ofensivas antigênero, desmonte de políticas públicas, e uma moralização do debate público referente às sexualidades. deste modo, busca-se entre as disputas político-científico-tecnológicas em torno da gestão do risco (e de si) o resgate de saberes que estiveram às margens das pandemias anteriores. considera-se que a negligência sobre a dimensão sexual, deixa lacunas sobre a possibilidade de re(invenção) dos saberes relacionados a como os sujeitos governam seus corpos e desejos em meio às crises sanitárias e políticas. este gt destina-se então a discutir práticas e políticas sexuais em meio à covid-19, colocando em diálogo trabalhos que abordam as possibilidades de gestão do risco, as respostas acadêmicas, governamentais e ativistas no campo da sexualidade, as implicações sobre as vivências lgbtqi+ e as inter-relações com os estudos sobre a epidemia de hiv/aids.
A proposta articula um diálogo mais amplo entre pesquisadores/as de um grupo de trabalho da associação brasileira de ensino e pesquisa em serviço social. é expressão de debates teórico-políticos sobre nossa diversidade humana e nossas resistências cotidianas e históricas nesta sociedade. assim, o simpósio tem a pretensão de fortalecer os diálogos sobre as temáticas propostas em uma perspectiva crítica, respeitando a pluralidade na elaboração de conhecimentos referente aos temas elencados.
O apagamento das vivências de mulheres sapatonas é um fenômeno que é naturalizado na sociedade, pois são corpos que não atendem as expectativas impostas sobre o gênero feminino na sociedade. o cruzamento desse apagamento com o racismo estrutural no brasil provoca invisibilização não só dessas mulheres como também das pautas e demandas levantadas por estas. Serão bem vindos trabalhos que façam uma reflexão sobre vivências de sapatonas negras, sejam elas afetivas, sociais, no mercado de trabalho e/ou apagamento nas políticas públicas, além de trabalhos que versem sobre lesbianidades e interseccionalidade e feminilidades.
As práticas profissionais do sistema único de saúde (sus) vem sendo objeto de estudo ora como alvo de críticas ora como espaço de produção de vida e cuidado. em interface com as questões de gênero e sexualidade, apesar de históricas conquistas em várias frentes, persistem inúmeras dificuldades nos serviços e nas práticas de cuidado em saúde. nesse sentido, este st busca proporcionar uma discussão na interface entre os estudos queer e a saúde coletiva, tanto nas discussões sociais e culturais sobre o processo saúde-doença quanto nas práticas cotidianas nos serviços, principalmente na atenção básica. nos interessam contribuições a partir dos estudos queer para temas caros à saúde coletiva como: violência e saúde; políticas focalizadas e identidades sociais; práticas de cuidado em saúde e saberes dissidentes; individualização e coletivização do processo saúde-doença; processos de medicalização; entre outros.
Conforme indica Birman (1991), a multidisciplinaridade é a marca do campo da saúde coletiva, já que sua problemática demanda diferentes leituras e permite a construção de diferentes objetos teóricos; a partir daí, este st objetiva congregar estudos sobre saúde lgbtqia+ em interface com as múltiplas expressões de sexualidade e gênero em corpos dissidentes e resistentes no contexto do sus. priorizam-se pesquisas que discutam as diversas experiências de corporalidade em viver a identidade de gênero, orientação sexual e outras práticas dissidentes à heteronormatividade compulsória, os processos de saúde-doença, e os desafios para a garantia da equidade, universalidade e descentralização dos equipamentos e serviços de saúde nos espaços urbanos e interioranos para usuários lgbtqia+.
A cidade É um construto físico, mas também um espaço de vivências individuais e coletivas produtor de memórias, subjetividades, identidades sociais e cultura. ela emite mensagens sobre a qualidade e possibilidades de vivência dos seus espaços públicos, sendo um espaço de educação cidadã onde podem conviver os diversos corpos humanos, com suas culturas, etnias, identidades, classes sociais e gêneros. entretanto, hoje presenciamos a segregação de coletivos em espaços específicos nas cidades, muitas vezes respaldados por práticas sociais de aculturação heteronormativa. este simpósio temático se propõe a reunir conhecimentos e vivências nos espaços públicos de diversas cidades do mundo que tenham sido capazes de ter cotidianos de (des)generificação dos corpos, diferente das disposições de cura que integram a bionecropolítica genderizada e mantenedora do cis-heteropatriarcado.
A proposta deste simpósio temático é reunir pesquisadores, ativistas e representantes políticos que tenham interesse em discutir os múltiplos significados que o termo violência adquire, a partir especificamente de uma perspectiva que leve em consideração como se cruzam marcadores sociais da diferença como gênero, sexualidade, raça, classe social e geração. dentre as várias consequências e os vários desdobramentos da pandemia, podemos localizar o acirramento de diferentes formas de violência, tanto as estruturais quanto as mais localizadas. neste sentido, convidamos propostas que busquem pensar nas possíveis relações entre violência e pandemia, tais como (mas não restritas), violência doméstica, formas de nomeação das violências, cuidado, convenções de gênero e violência, violência urbana, necropolítica cotidiana, dilemas teórico-metodológicos no estudo das violências, políticas de enfrentamento das violências, análises de políticas públicas.
O simpósio temático objetiva promover o debate sobre as formas de resistência à violência que recai sobre os corpos dissidentes. assim, tem interesse em estudos que discutam o transfeminismo, os feminismos decoloniais, o queer of color critique e a atuação dos movimentos sociais como estratégias de enfrentamento e superação da homolesbotransfobia no brasil, sobretudo no contexto pandêmico.
Como a moda têm recepcionado os ativismos em torno dos corpos dissidentes? como os ativismos dos corpos dissidentes têm pautado a moda? quais imagens estão em disputa, concorrência? como favorecem ou desfavorecem as expressões de gênero e da diversidade? o presente simpósio busca acolher trabalhos que entrelacem os diferentes usos da imagem (fotografia, vídeo, performance, mídia, arte etc.) com a moda e o ativismo dos corpos dissidentes. o objetivo principal é estabelecer um diálogo sobre como a moda e sua historicidade de inclusão/exclusão dos corpos dissidentes tem se convertido em um vetor de luta para as expressões de gênero e diversidade em tornos dos corpos dissidentes.
A proposta deste simpósio temático é debater e articular produções e saberes femininos, não só como expressão subjetiva mas como forma de sobrevivência e resistência política presentes nas mais variadas manifestações artísticas – desde a literatura, passando pelo cinema e audiovisual, e chegando às novas linguagens possibilitadas pelo universo digital. partindo do conceito de “escrevivência”, desenvolvido pelas intelectuais amefricanas, e do pressuposto técnico de que a textualidade está presente também nas imagens e nos silêncios, desejamos contribuir para a consolidação do entendimento de que a produção artística feminina é parte de uma resistência histórica e deve ser levada em consideração enquanto registro dos esforços intelectuais e existenciais de mulheres para pensar sua própria realidade, a partir de seu lugar no mundo. isso porque, ao longo dos séculos, a arte foi a única forma de expressão e materialização possível da vivência das mulheres, por elas mesmas e pelas outras. buscamos trabalhos que posicionem a arte produzida por mulheres enquanto parte de um contexto mais amplo de memória intelectual coletiva feminina.
Ao tratar da pornografia, faz-se necessário contextualizar o tema e situá-lo na história, uma vez que, segundo Hunt (1999), a “Pornografia” tem uma História, assumindo diversas facetas no decorrer do tempo, tais como: produções humanas da representação do desejo da carne; o caráter político-cultural como categoria de pensamento, representação e regulamentação; os elementos pornográficos da sátira, que servem de instrumento de crítica ao poder. Interessa às discussões desse Simpósio Temático a compreensão do contexto de produção e circulação da pornografia e, consequentemente, como esta é apropriada pelos sujeitos nos diversos discursos e/ou sistemas semióticos, apresentando os pontos de tensão e dissidência em relação às epistemologias tradicionais.