IV Desfazendo Gênero
IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DESFAZENDO GÊNERO

Corpos dissidentes, corpos resistentes: do caos à lama

Recife - PE de 13 a 15 de novembro de 2019
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Período de Submissão

Os simpósios Temáticos poderão ser submetidos até:
26/04/2019
Os trabalhos serão submetidos até: 08/10/2019

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

Os Simpósios Temáticos  são pensados para fornecer ao participante as linhas de pesquisas mais importantes e inovadoras. Confira os STs disponíveis!

RESULTADO DE SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

Saiu o resultado dos Simpósios Temáticos para o IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DESFAZENDO GÊNERO. Veja abaixo:


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Simpósio Temático

Simpósio Temático

Desde a segunda metade do século XIX, com a consolidação das disciplinas científicas, marcadamente aquelas relacionadas com os conhecimentos sobre o funcionamento dos corpos, principalmente os femininos e os processos reprodutivos, médicos/as e educadores/as buscaram estabelecer procedimentos de controle das sexualidades. Essas práticas foram amplamente divulgadas nas sociedades europeias e também no Brasil e regularam (e de certa forma, ainda regulam) as ações educativas no campo das sexualidades, confinando-as ao espaço das aulas de reprodução, infecções sexualmente transmissíveis e ao discurso científico. Neste sentido, consideramos que, compreender os processos históricos que contribuíram para a produção de determinados discursos científicos sobre as sexualidades é fundamental para a desnaturalização de práticas como o sexismo e a LGBTfobia, valorizando práticas educativas que promovam o respeito às diversidades. Formar docentes nesta perspectiva significa empreender rupturas e possibilitar novos caminhos para uma educação pautada nos princípios dos Direitos Humanos. Assim, o presente ST pretende discutir pesquisas e relatos de experiências envolvendo o uso da história das ciências em cursos, disciplinas e outras atividades desenvolvidas na formação docente no campo das discussões sobre gêneros, diversidades e sexualidades. Serão aceitos também, trabalhos que discutam as lutas históricas dos movimentos feministas, gays e lésbicos, problematizando questões fundamentadas em visões científicas não contextualizadas historicamente.

Responsáveis:

Izaura Santiago da Cruz
Pollyanna Rezende Campos
Almerson Cerqueira Passos

Dedicado ao debate sobre como diferentes experiências no âmbito do gênero/sexualidades e interseccionalidades decorrentes, produzem corpos, modos de vida e territorialidades nas variadas Amazônias, o presente simpósio visa trazer a debate propostas artísticas, ativistas e acadêmicas que visibilizem e problematizem a complexidade das subjetividades amazônicas, rompendo com um insistente senso comum propagado nas mídias e sobretudo em lugares externos a região, seja homogeneizando-a, seja silenciando-a. O propósito é abrir um espaço para que experiências e demandas dissidentes nas/sobre as Amazônias, possam protagonizar este simpósio movimentando uma pororoca faminta e reflexiva sobre as territorialidades que produzimos, debatendo e sendo quem somos. São bem vindos trabalhos de pessoas Amazônidas ou não, desde que o enfoque seja sobre experiências do gênero/sexualidades de subjetividades amazônidas. Compreendemos que essa visibilidade é pedagógica e reclama politicamente um espaço de (des)aprendizagem coletivo sobre esses/outros territórios/subjetividades. Orienta a proposta uma visada performativa do gênero/sexualidades (BUTLER, 1990) e demandas interseccionais (CRESHAW, 1994; GUIDROZ, KATHLEEN & BERGER, 2009; YUVAL-DAVIS, 2009), assim como, o debate sobre a produção de territorialidades (RAFFESTIN, 1993). Ao entender que a territorialidade decorre do modo de ocupação do espaço e que são os sujeitos que territorializam o espaço, agregando valor social e de pertencimento (BARRETO, 2010), então o território se constitui sobretudo “por e a partir de relações de poder” (SOUZA, 2007, p. 111; FOUCAULT, 1979; 2008). Como essas relações e processos de produção do território se dão é que interessa a este simpósio, o qual dá ênfase aos corpos e às experiências com a dissidência do gênero/sexualidades (COLLING, 2015; 2016) na Amazônia.

Responsáveis:

José Sena
Luana Fontel
Xan Marçall

Expressar e viver o corpo na vida contemporânea é buscar os sentidos dissidentes no universo das resistências e das pluralidades complexas. É desafiar de forma efetiva os modelos e certezas das convenções sociais. Neste sentido, a vontade de profanar o caos da vida se revela na leveza das imperfeições históricas do corpo. Durante muitos séculos, o corpo foi compreendido a partir de várias abordagens em diferentes áreas do conhecimento humano. É necessário penetrar, falar e pensar o corpo através das esferas de saberes plurais que permeiam várias áreas de estudos e pesquisas nacionais e internacionais. Este Simpósio Temático visa contribuir no processo de compreensão do corpo em diálogo com as profundas transformações decorrentes da cultura moderna. Os estudos de gênero, de corpo, das sexualidades dissidentes, das atitudes práticas dos corpos resistentes, estudos dos rituais de construção corporal biopsicoafetiva, das linhas de performances corporais, dos limites profanados dos desejos, das linhas abissais de exclusões do Corpo Queer são algumas temáticas de pesquisas que serão aceitas aqui. Este Simpósio Temático está aberto às diferentes concepções teóricas e metodológicas relacionadas à diversidade cultural e suas convergências dentro dos desafios contemporâneos, sobretudo no atual cenário político brasileiro em que corpos desconformes são alvos de violências e ataques.

Responsáveis:

Ivaldinete de Araujo Delmiro Gémes
Fabiane Freire França
Fabrício de Sousa Sampaio

Márton Tamás Gémes
Este ST visa agregar pesquisas que tragam em suas discussões a temática dos corpos e/ou das sexualidades em uma perspectiva não fixa, a-histórica, portanto, fluida e que considere os constantes processos de (re)significações operacionados pelas pessoas na elaboração de corpos e subjetividades considerados inteligíveis ou não. Trabalhos que tenham como objeto as corporeidades, excorporações, incorporações e encarnações, assim como sexualidades heterossexuais, homossexuais, bissexuais, transexuais etc., de forma interseccionadas ou não, serão bem-vindos, uma vez que se pretende refletir acerca das relações dos agentes sociais com seus corpos e, também, com corpos Outros, demarcando, assim, o caráter relacional do devir por parte dos indivíduos. Dessa forma, procura-se ponderar a respeito do modo de se estar no mundo, da materialização dos indivíduos, a partir das suas performances corporais, da cultura somática a qual pertencem e das negociações que estes fazem em relação aos limites de seus corpos e, igualmente, da maneira que lidam com suas sexualidades, as quais são (re)significadas em determinados contextos interacionais dando lugar a novas/outras maneiras de se pensar tanto o corpo quanto as questões relativas às sexualidades na contemporaneidade. Justifica-se a proposta pelo fato de nos relacionarmos com nosso corpo cotidianamente de formas múltiplas, (re)significando práticas, valores e comportamentos sociais, acionando o campo da sexualidade que é experienciada (em segredo ou não), a partir de uma gama de possibilidades (lésbica, gay, bissexual, pansexual, transgênero, queer, assexual, dentre outras). O corpo, portanto, não é um “objeto” inerte, mas um “corpo-sujeito”, uma vez que possui regras próprias, o que torna significativo refletir sobre as negociações que as pessoas realizam para a materialização de seus corpos e a vivência de múltiplas sexualidades, num processo constante de (re)existência.

Responsáveis:

Telma Amaral Gonçalves
Ana Lídia Nauar
O presente simpósio pretende acolher trabalhos que versem sobre estratégias atuais de não normalização dos corpos fora dos padrões estéticos hegemônicos, atuando no enfrentamento a ante padronização que estigmatiza e estereotipa, de modo particular, os corpos gordos, trans, negros, lésbicos, homoafetivos, enfim corpos diversos. O objetivo principal é estabelecer um diálogo sobre formas criativas de resistência que estão fazendo frente ao direito de existir na diversidade, borrando as fronteiras de gênero e sexualidade, buscando o descolamento do conceito de que o normal (padronizado pelo socialmente desejável) é belo e bom, e de que o anormal (o diverso, distinto) é feio e mau. Nesse sentido, o cerne do debate será desenvolvido com base na premissa de quando as estratégias disruptivas emergem, elas possibilitam que os corpos distintos se deem conta de que são, em alguma medida, semelhantes entre si. Essa identificação, por sua vez, ao produzir engajamento formam um campo, o campo dos corpos indóceis, divergentes e performativos organizados em torno das suas próprias causas, exercitando a capacidade de desequilibrar as balanças de poder, instaurando um jogo simbólico, sobretudo, imagético nas suas estratégias quando postas em ação. Sendo assim, pretende-se acolher pesquisas e modos de atuar que estabeleçam diálogo com o contexto sociopolítico atual brasileiro, cujo posicionamento limita os corpos dentro da estética que flerta com ideias e ideais fascistas e de cunho eugenista, assentados no padrão da virilidade masculina, branca, austera e heteronormativa. Será dada atenção especial aos trabalhos que mobilizem a produção teórica de gênero, estudos do corpo, estigma, violências simbólicas em torno de narrativas frente a esse cenário atual. De modo especial, também serão acolhidas as análises sobre as estratégias que incorporam ainda o conceito de ato, desenvolvido pela teoria feminista de Judith Butler, enquanto performatividade na perspectiva que atua como uma produção de valor quando a própria imagem do corpo fala, interpõe, reivindica, posicionase.

Responsáveis:

Luciana Pionório Rocha de Arandas
Marina Blank Virgílio da Silva
Nicole Louise Macedo Teles de Pontes
Este simpósio temático tem como objetivo reunir colaboradores dedicados ao pensamento e a criação de diferentes áreas do conhecimento, no intuito de problematizar, apresentar propostas e discutir possibilidades de investigação e criação relacionadas as práticas de resistência política produzidas pelo e no corpo. O corpo é o que permite o exercício da vida, nele estão contidos os modos de subjetivação e o próprio assujeitamento. O corpo é naturalizado como aquilo que vem primeiro, que precisa ser adequado às regras sociais antes mesmo de ser considerado um corpo, mas é nele que agem as institucionalizações que o produzem enquanto materialidade e é na relação com esta materialidade que os regimes de verdade estabelecem quais os corpos destinados a abjeção. Todavia, na contração de corresponder às expectativas sociais para garantir sua subsistência e manutenção da vida - tudo nos corpos deveria adequar-se, tanto à linguagem, quanto aos anseios de produção massificada da vida -, os corpos, especialmente os tidos como abjetos, produzem estratégias de insurreição como poética existencial e de resistência subjetiva. Então, diante disto questionamos: como os corpos produzem possibilidades de transgressão a estes processos de assujeitamento e, a partir delas, criar poéticas de existência balizando a resistência aquilo que lhe é inferido? Nossa proposta é investigar as diferentes estratégias usadas e praticadas pelos corpos para resistir politicamente e para transgredir a todo um conjunto de características que o modelam de acordo com normas políticas e sociais. Neste sentido, esses diálogos podem ser estabelecidos por meio da arte, da educação, da psicanálise, do ativismo político, da produção acadêmica e cultural, entre outros, desde que tenham no corpo o protagonismo de suas narrativas.

Responsáveis:

Clara Guimarães Santiago
Nara Salles
Allan Moreira Xavier
Esse simpósio tem como objetivo reunir estudos sobre sexualidades dissidentes e as múltiplas formas de expressões de gênero, em contextos poucos visibilizados como: cidades de pequeno porte, contextos rurais, comunidades indígenas, quilombolas, entre outros. Tem o intuito de discutir e refletir sobre as múltiplas formas de viver a identidade de gênero, a identidade sexual e/ou práticas sexuais dissidentes à heterossexualidade compulsória; e pretende dialogar sobre as negociações de enfretamento e resistência à adequação. Ainda que o debate sobre gênero e sexualidade esteja em constante expansão, a sexualidade em contextos interioranos e rurais ainda é pouco discutida no âmbito acadêmico. Os estudos que contemplam a discussão de gênero nestes territórios tem-se voltado para as questões do trabalho, família, participação política, produção agrícola, etc., promovendo a perpetuação de um silêncio sobre as vivências que se distanciam das expectativas sexuais e de gênero apoiadas na heteronormatividade. A discussão proposta aqui se apoia na compreensão das construções sociais em torno do gênero, sexualidade e a produção de uma normatividade. Desta forma, faz-se importante compreender as repercussões dos discursos relativos à construção identitária de gênero, que perpassam todos os níveis sociais e acabam definindo uma normatividade no campo da sexualidade. Pretendemos buscar compreender as repercussões de preconceito e discriminação com as dissidências sexuais e /ou de gênero; é importante considerar ainda, a relação entre gênero e sexualidade e os marcadores sociais (classe, raça, religião...) e suas repercussões sobre as trajetórias dos sujeitos. Com isso, é importante pensar nas estratégias de negociação, agenciamento e resistência à(s) norma(s) nesses contextos, já que os sujeitos são convocados a lidar com distintos marcadores (pessoalidade, controle, religiosidade, parentesco, disciplina e vigilância, dentre outr@s) em cenários fora dos grandes centros urbanos e cuja atenção analítico-reflexiva nem sempre é visibilizada e problematizada nos/pelos estudos de gênero e sexualidades.

Responsáveis:

Lorena Lima de Moraes
Marcio Rodrigo Vale Caetano
Esmael Alves de Oliveira
Letícia Carolina Pereira do Nascimento
Propomos articular aspectos plurais atinentes a gênero e sexualidades infantis e/ou adolescentes. Acolheremos trabalhos que associem empiria e teoria, para diálogos sobre experiências subjetivas e sociais, perpassadas por reflexões e/ou propostas que discutam formas sociais de trabalhar com questões de gênero e sexualidades. Com o processo ocidental de (auto)formação humana, aprende-se, desde a infância, que algumas práticas e “escolhas” são para meninos e outras para meninas. Ensina-se que gênero e sexualidades têm diferenças que polarizam, segregam e hierarquizam. Também se ensina/aprende que o corpo e seus prazeres têm limites e sofrem castrações. Por outro lado, temos observado formas particulares e generalizadas de sujeitos que questionam, desde a infância, regimes de verdade, controle e disciplinamento, desdizem binarismos de gêneros, e dessa forma, desafiam machismo, LGBTIQfobia, cisheteronormatividade e outras formas de subalternização social. Assim, entre violências normativas e resistências (individuais e coletivas), pretendemos conhecer mais sobre experiências dissidentes que envolvam formas de violência, normatização, controle, disciplinamento, exercícios de poder, e também, resistências, rotas de fuga, resiliências, subversões, redes de antidisciplina e performatizações de gênero e sexualidades, protagonizados por crianças e/ou adolescentes e/ou adultos com quem interagem. Consideramos escassos os trabalhos e pesquisas que versam sobre gênero e sexualidades na infância, e defendemos a relevância do tema, especialmente, acerca dos desdobramentos que se podem refletir na vida adolescente e adulta, influenciando as maneiras possíveis de lidar consigo mesmo, com seu corpo e com o mundo. Compreendemos que os trabalhos do Simpósio poderão colaborar para ampliar leituras de mundo, elucidando variadas possibilidades de entendimento sobre a complexidade das artes de (con)viver em meio social. Além disso, associaremos variadas perspectivas emancipatórias, ao incidir sobre práticas e conhecimentos que valorizam as dissidências sexuais e de gênero.

Responsáveis:

Virginia Georg Schindhelm
Jonas Alves da Silva Junior
No mundo globalizado contemporâneo o expressivo avanço tecnológico e a crescente diversidade das identidades socioculturais dos sujeitos trabalhadores e educandos acarretaram mudanças substanciais nas relações sociais. O trabalho em sua acepção ontológica - como fundante do ser social -, ou na sua tradução capitalista - como agente que forma e deforma o sujeito -, assim como a educação profissional, objetivada em ambientes formais e não formais, estão imbricados nas relações de gênero, não apenas na binaridade masculinofeminino, como também em toda a complexidade da diversidade sexual presente na sociedade atual. Nesse contexto, a produção e utilização da tecnologia têm lugares privilegiados, uma vez que acarretam impactos e consequências diretas nas relações de trabalho e na formação profissional, em particular, e nas relações sociais, em geral. Problematizar a geração e a utilização da tecnologia, a realização da técnica nas relações de trabalho e a educação profissional e tecnológica, tomando as relações de gênero e a diversidade sexual como objetos de estudo em recortes específicos, trazem questões a serem debatidas tanto na divisão do trabalho na sociedade como no interior do processo laboral e nas instituições de educação profissional e tecnológica. As relações sociais se alteram na diversidade técnica, nas múltiplas atividades manuais e intelectuais distribuídas na organização das funções e tarefas perpassadas pelas questões de gênero e pelas identidades sexuais dos sujeitos trabalhadores. Assim, o presente simpósio temático propõe-se a contribuir para o debate acadêmico acerca das questões relacionadas às temáticas elencadas, abordando as correlações, interlocuções, diálogos, avanços e desafios evidenciados nas relações de gênero e na diversidade sexual imbricadas nas relações de trabalho, na educação profissional e tecnológica e na produção e utilização da ciência e tecnologia.

Responsável:

Raquel Quirino
O termo "cisgênero", de acordo com Jesus (2012), foi criado pelo movimento transfeminista para abarcar as pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi determinado no momento de seu nascimento, ou seja, as pessoas que não são trans. Simakawa (2015) defende que "cisgeneridade" e "cisnormatividade" são categorias analíticas relevantes para reflexões políticas, acadêmicas e existenciais sobre as diversidades de corpos e de identidades de gênero, assim como para o desenvolvimento de reflexões acerca dos dispositivos de poder institucionais e não-institucionais que exercem colonialidades, especialmente, sobre os corpos das pessoas trans e intersexo. O presente Simpósio Temático pressupõe que as investigações acerca das cisgeneridades deslocam o olhar patologizante quanto às identidades, possibilitando estratégias de resistência, bem como re-situam saberes e racionalidades corpo-epistêmicas frente aos chamados "cistemas" de poder.

Responsáveis:

Jaqueline Gomes de Jesus
Mariah Rafaela Cordeiro Gonzaga da Silva
Viviane Simakawa
Céu Silva Cavalcanti
Nesta conjuntura, com o avanço do conservadorismo e ascensão dos fascismos têm se recrudescido as opressões e desigualdades, materializando-se desde as formas de vida ainda mais precárias e permeadas por violências, até o extermínio. Avolumam-se a pobreza e a miséria enquanto assistimos ao fortalecimento de políticas genocidas voltadas contra os "corpos que não importam". Nesse sentido, pessoas indígenas, população LGBTI+, pessoas negras – principalmente em suas diversas expressões de feminilidades - têm sido afetadas, dizimadas. Contrapondo-se a esta lógica, esse simpósio tem o propósito de reunir ativistas, pesquisadorxs e demais corpos que produzem tensionamentos a realizarem reflexões críticas a partir dos feminismos dissidentes (negro, indígenas, contra-coloniais e transfeministas), considerando as desigualdades projetadas no campo das raças, gêneros, sexualidades, corporalidades e classes. Há, aqui, uma aposta na coalizão política e epistêmica entre os feminismos que se contrapõem ao sistema-mundo euro-norteamericano branco, patriarcal, moderno, colonial. O objetivo é promover a articulação das experiências e conhecimentos produzidos por pessoas e grupos socialmente oprimidos de modo a contribuir não apenas para o fortalecimento de saberes dissidentes, mas para a existência e resistência desses sujeitos, considerando que esse exercício contribui para a identificação de estratégias elaboradas nas lutas contra o racismo e cisheterossexismo estruturais no modo de produção capitalista. Defendemos que a ciência produzida hegemonicamente na academia tem muito o que aprender com tais lutas - com as quais deve estar comprometida. Concordando com Audre Lorde quando afirma que “não são as ferramentas do mestre que irão desmantelar a casa do mestre”, convidamos todxs para construir, reconstruir e reposicionar outras experiências de insubmissão, transgressão e desobediência politico-epistêmica.

Responsáveis:

Henrique da Costa Silva
Flávia da Silva Clemente
Mônica Rodrigues Costa
Vivian Matias dos Santos
Na perspectiva de melhor compreendermos o que a escola tem produzido, a partir do silenciamento, do apagamento e da ocultação de diversas temáticas em seus cotidianos e em seus currículos, é preciso perceber as motivações desses ocultamentos. Ademais, é fundamental compreender as disputas que se instalam no epicentro contemporâneo e das interdições/atravessamentos pelas quais se submetem, principalmente, os conhecimentos que envolvem os eixos relativos às diversas manifestações de sexualidades, às questões de gênero, aos preconceitos, discriminações e violências instalados e reforçados nas práticas pedagógicas diversas. No entanto, não só o cotidiano escolar produz tais discursos e realidades de violência à mulher, à população LGBTIQS+, outros espaçotempos não-escolares também se engendram neste contexto. A proposta deste simpósio inscreve-se na necessidade de compreendermos como a escola e outros espaços educativos, por meio de seus processos pedagógicos cotidianos e dos diversos artefatos culturais disponíveis, tais como currículos, livros didáticos, tecnologias, redes sociais digitais, audiovisualidades, têm se constituído como espaçostempos de enfrentamento das ofensivas conservadoras, desenvolvendo posturas críticas, reflexivas e formativas a partir de um enfoque do respeito às diferenças, à diversidade sexual e relações de gênero. Congrega, portanto, pesquisas que focalizem a formação de professores, professoras em todas as suas configurações de masculinidades, feminilidades, transmasculinidades e transfeminilidades; que coloquem as práticas pedagógicas em todos os espaçostempos educativos escolares e não-escolares como foco de construção de conhecimentos outros que nos municiem para o enfrentamento. Além disso, nossa proposta assume, também, o enlaçamento/acolhimento de, sem qualquer tipo de presunção, pesquisas que apontem para possibilidades de queerificar/enviadescer/estranhar o currículo a partir do conceito de currículopraticado. Neste sentido, buscamos dar visibilidade a pesquisas que demonstrem, também, como seguir nas brechas, nas fissuras que podem permitir rupturas na estrutura heteronormativa em prol do questionamento das práticas culturais dentrofora da escola.

Responsáveis:

Denize Sepúlveda
Ivan Amaro
Dilton Ribeiro Couto Junior
Nossa proposição para o Simpósio Temático "Gêneros, corpos e sexualidades em/com artes: resistências e ativismos" tem por objetivo discutir as diversas abordagens teórico-práticas sobre gêneros, corpos e sexualidades (principalmente como desconstrução e performance, subsidiadas pelas obras de Judith Butler) a partir de vivências/estudos em/com artes contemporâneas – isto porque as artes têm sido, em suas diversas linguagens (teatro, fotografia, cinema, audiovisual, literatura, pintura, escultura etc.), um importante campo de poder em que múltiplos discursos se cruzam em torno das desconstruções de gêneros, corpos e sexualidades na contemporaneidade, atravessados por “uma construção rizomática de desejos/performances/saberes” (constante na proposta do IV Desfazendo Gênero), forçando a problematização acerca de suas representações hegemônicas tomadas como naturais e universais. Nesse sentido, esse Simpósio Temático pretende acolher trabalhos que evidenciem processos de ativismo e resistência social aos rearranjos político-econômicos e culturais no mundo globalizado, especialmente, na América Latina, que contribuam para a ampliação/inquietação de saberes e divulgação de experiências em/com artes sobre gêneros, corpos e sexualidades. Para tal, pretendemos receber propostas críticas através de relatos de experiências individuais e/ou coletivas (de diversos espaços de saber: escolas, universidades, ONGs, comunidades quilombolas e indígenas, museus etc.), estudos advindos de pesquisas, ações de extensão e produções artísticas autorais (que poderão ser acompanhadas ou não por intervenções artísticas, no local) por entendermos que as artes – em diálogo com o filósofo Jacques Rancière – podem ser um campo de estratégias e práticas de reapropriação crítica do ser humano consigo mesmo e com o mundo circundante.

Responsáveis:

Jo A-mi
Rosângela Duarte Pimenta
Nas últimas décadas, o campo híbrido dos estudos da linguagem vem ganhando contribuições teórico-analíticas de pesquisas sobre corpos subalternizados a partir de concepções antiessencialistas e semioticamente abrangentes de linguagem. Nesse influxo, este simpósio pretende abordar a urgência de uma perspectiva indisciplinar de estudos (sob diferentes pactos epistemológicos) acerca dos modos como produções de linguagem, em diferentes contextos e domínios sociais, têm papel central para a construção de performances de subjetividades insubmissas e para a desconstrução de processos socioculturais que marginalizam certos corpos (BUTLER, 1997; NAVARRO, 2008; BORBA, 2014). Trata-se daquilo que viemos chamando de uma mirada queer nos estudos linguísticos ou também “Linguística Queer” (BORBA, 2015; MELO, 2018; SILVA, 2018) – um olhar dos estudos da linguagem (e mais especificamente da Linguística de vertente crítica) sobre como as diferentes semioses constituem os traços de sentido que promovem a abjeção e a potência dos corpos marginalizados, sobretudo por interpelação das hetero-cis-normatividades, aliadas, interseccionalmente, a diferentes domínios normativos de outros marcadores sociais da diferença. Neste simpósio, buscamos reconhecer o lugar aplicado e crítico de investigação do papel dos discursos na constituição das vidas dissidentes e de suas políticas de resistência. Almejamos, desse modo, que este espaço de interlocução possa congregar diferentes perspectivas a fim de discutirmos a lacuna ainda existente dentro da Linguística e da Linguística Aplicada quando tratamos da participação do discurso no engendramento de sentidos para gênero e sexualidade.

Responsáveis:

Danillo da Conceição Pereira Silva
Iran Ferreira de Melo
Este simpósio temático pretende uma discussão dos modos como o gênero se apresenta como matéria. Essa matéria que se constroi e produz efeitos decorre da intração inteligibilidade e materialidade, que se apresentam como relacionais e por isso irredutíveis à oposição binária. Seguimos aqui as propostas de Karen Barad em relação à teoria da performatividade do gênero proposta por Butler, que nos conduzem a pensar o gênero como um efeito material-semiótico. Assim e retomando também a influência de Haraway, a teoria da performatividade do gênero é também uma teoria do corpo e que vê no corpo não apenas uma superfície de inscrição, mas também uma agência que produz efeitos. Aqui cabem, por exemplo, discussões de como átomos, vírus, células, orgãos, sistemas apresentam também efeitos decorrentes de uma performatividade, que simula uma natureza em tempos de Antropoceno, mas que é simultaneamente uma onto-epistemologia. Esse realismo agencial implica considerar que o modo como múltiplas agências vão produzir essa matéria do gênero. Essa matéria poderia pensar-se no âmbito de uma cosmopolítica e vista como rizoma, o que por sua vez, tem como implicação um conjunto de formas muitos díspares mas coexistentes e concomitantes do que é entendido como gênero. Um gênero que é também tecnologia e inteligibilidade, que implica efeitos sociais e biológicos, que como tecnologia de subjectivação produz, materializa e visibiliza determinados corpos, objetos, políticas, movimentos sociais e naturezas.

Responsáveis:

João Manuel de Oliveira
Maria Juracy Toneli
Alfrâncio Ferreira Dias
Este simpósio aborda como as vulnerabilidades e resistências relativas às questões de gênero e sexualidade produzem narrativas e memórias no contexto das sociedades contemporâneas, com foco na vida brasileira. Interessa-nos discutir as narrativas e memórias construídas a partir das ruínas (BENJAMIN, 1984) e das apartações produzidas pelo Estado com seu racismo biológico (FOUCAULT, 2002), necropolítica queer (HARITAWORN, KUNTSMAN e POSOCCO, 2014) e homonacionalismo (PUAR, 2007). A noção de narrativa, como proposta por Benjamin (1994), apresenta a capacidade de transformar a realidade e não apenas descrevê-la. Essas narrativas são constituídas a partir de um lembrar ativo (GAGNEBIN, 2006) das experiências de memórias (individuais ou coletivas) e dos deslocamentos das ruínas (fragmentos de imagens e objetos deixados pela história) que, quando misturadas, sem compromisso com as suas origens e intenções, resultam em algo novo. Assim, pretendemos debater como se dão as estratégias de dizibilidade e produção de subjetividades daqueles corpos dissidentes que lutam por acesso a uma vida vivível e escapam dos diversos enquadramentos normatizadores, nos termos de Butler (2015). Para tanto, buscamos problematizar, por um lado, as atuais expressões das precariedades socialmente induzidas (BUTLER, 2015), e, por outro lado, discutimos como se dá a ocupação de espaços públicos e privados reivindicando acesso à cidadania, à reparação, seja por meio de manifestações artísticas e/ou políticas públicas, seja pela produção de modos de vida não hegemônicos relativos aos corpos da população LGBTTQI em suas versões “bicha”, lésbicas, transexuais, travestis, queers, interseccionalizados com as relações étnico-raciais, de classe e pertencimentos socioterritoriais.

Responsáveis:

Alexandre Nunes de Sousa
Tiago Coutinho Parente
A proposta que segue visa reunir investigações que versam sobre historiografia, saberes subalternos e marcadores sociais da diferença, como gênero, sexualidade, raça etc. A necessidade de se pensar essa articulação emerge da observação que o estudo dos chamados marcadores sociais adentram o campo da história em tempos relativamente recente aonde são analisados de forma isolada o que resulta num alheamento analítico quanto a potencialidade dos discursos que os interseccionam. As historiadoras Joana Maria Pedro e Raquel Soihet (2007) já denunciam a masculinização e eurocentrismo da produção historiográfica mesmo após a empreita da Escola dos Annales – movimento historiográfico francês considerado o mais bem sucedido do século XX. Nela, em sua primeira e segunda geração, sobretudo, a presença das mulheres começa a se fazer, mesmo que discretamente, na produção historiográfica. A princípio, elas aparecem mais como coparticipes nos trabalhos dos célebres March Bloch e Lucian Febvre do que como produtoras de fato de uma historiografia. A reflexão que se pode proceder instiga a problematizar como a década de 1930, repleta das reviravoltas políticas e das crises dos paradigmas dominantes vê emergir uma frente historiográfica que, partindo do pressuposto da história como problema, inova a historiografia no que concerne aos seus problemas, métodos, abordagens e contatos com outras áreas, mas avança de forma bem pouco significativa quando o que está em questão é o sujeito das enunciações historiográficas. Percebendo os avanços pouco significativos que as produções historiográficas galgaram nos últimos tempos no que concerne às questões de gênero, sexualidade, raça etc., recorremos à contribuição do filósofo Michel Foucault quando do curso Em defesa da sociedade (1976, 2000, p. 11) enuncia a partir da década de 1960 a emergência dos “saberes subalternos ou saberes insurgentes”, que seriam: “blocos de saber históricos que estavam presentes e disfarçados no interior dos conjuntos funcionais e sistemáticos, e que a crítica pode fazer reaparecer pelos meios, é claro, da erudição”. Esses saberes silenciados, modelados, tangenciais comportam exatamente o conjunto de experiências que duramente muito tempo não surtiu qualquer tipo de efeito no campo da História.

Responsáveis:

Lucas Gomes Medeiros
Artur Vitor de Araújo Santana
Natanael Duarte de Azevedo
Neste simpósio, estamos interessados em perspectivas críticas que abordem a literatura, a crítica, a historiografia e a teoria literária de língua portuguesa a partir de uma perspectiva queer. Nesse sentido, estamos interessados em abordagens que dialoguem com textualidades queer, mas principalmente com abordagens que problematizaem o cânone literário, o cânone da crítica, o cânone da historiografia e o cânone da teoria literária de língua portuguesa. Estamos interessados, portanto, em fazer novas perguntas a velhas questões, o que permitiria, talvez, fazer falar subalternidades que o cânone não foi capaz de ouvir, ou fez questão de silenciar. Entendemos que o queer aqui só adquire sentido na sua relação com a norma, como aponta David Halperin (2000), designando aquilo que não condiz com o normal, o dominante, o legítimo, e, da mesma forma, não delimita uma positividade, mas uma posição dissidente em relação à norma. Queerizar, portanto, é verbo, é ação de relativizar olhares pré-estabelecidos sobre objetos para colocá-los em deriva, desestabilizando os lugares que confortavelmente ocupam na cultura. Queerizar o cânone literário de língua portuguesa é, portanto, não só desestabilizar o cânone literário, relativizando os lugares que determinadas obras ocupam na cultura, revendo posições de visibilidade e invisibilidade, mas é também contaminar a crítica, a teoria e a historiografia literária com os estudos queer, fazendo-as fracassar naquilo que têm de autoritária, colonizadora, binária e patologizante, no que se refere não só aos gêneros e sexualidades, mas também a outros marcadores sociais da diferença. Nosso Simpósio, portanto, apostando na potencialidade crítica da teoria queer, mas também nos Estudos subalternos e decoloniais, com base em uma perspectiva interdisciplinar, pretende rever hierarquias, naturalizações e invisibilidades.

Responsáveis:

Mário Cesar Lugarinho
Emerson Inácio
Helder Thiago Maia
Edson Salviano Nery Pereira
Os diálogos que envolvem as questões pertinentes ao corpo, aos gêneros e às sexualidades ainda se mostram um desafio às religiões sejam as hegemônicas, sejam aquelas consideradas minoritárias no contexto religioso brasileiro. Esta disputa se torna ainda mais acirrada quando incluímos na discussão as variantes “Estado” e “Políticas Públicas”, visto que o espaço religioso pode ser considerado um celeiro de ações que põe em xeque a atuação do Estado em relação aos direitos das diversas populações, em especial, aquelas consideradas politicamente minoritárias. Os direitos sexuais são um ponto importante do entrelace dos discursos proferidos pelo campo religioso, pelos movimentos sociais e pelo Estado, pois, em determinados contextos, essas três esferas sociais caminham em consonância e em outros são observadas dissidências que resultam em retrocessos no que se refere ao avanço da legitimidade de ações consideradas essenciais ao direito a uma vida digna. Questões como o aborto, o casamento igualitário, a saúde de transgêneros e a criminalização da homofobia, etc estão cada vez mais na pauta dos assuntos debatidos pelo Estado e pelos movimentos sociais. Estes temas também são relevantes ao dia-adia dos espaços religiosos que procuram, à sua maneira, ou coibir o avanço do diálogo e da ação acerca desses direitos ou se unir aos movimentos sociais e/ou ao Estado para efetivar a sua legalidade. Assim, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, o Simpósio Temático tem por objetivo visibilizar as várias formas através das quais as religiões no Brasil dialogam com marcadores sociais da diferença e, a partir disso, produzem discursos políticos transformadores do ethos social e cultural. O ST se propõe então a receber trabalhos que apresentem as tensões, as controvérsias e as formas de luta das diversas religiões no campo das políticas públicas relacionadas ao corpo, ao gênero e à sexualidade. Desta forma, busca-se reunir pesquisadorxs cujos trabalhos identificam as maneiras como os diversos espaços religiosos dialogam ou não com as pautas dos movimentos sociais e do Estado.

Responsáveis:

Marcelo Natividade
Edilson Brasil (Júnior Ratts)
Hoje a crítica feminista configura um campo amplo e heterogêneo de estudos que incorpora muitas vertentes teóricas e abordagens, campo esse que se revitaliza em seus diálogos com os estudos pós-coloniais, os estudos culturais e a desconstrução. Indo mais além, foi a partir das perquirições das teorias feministas que emergiram os estudos de masculinidades (em especial aqueles que dedicam atenção às masculinidades subalternizadas), os estudos de gênero, os estudos gays e lésbic@s e a teoria queer, caminhos que possibilitaram simultaneamente o questionamento dos cânones estéticos e das premissas heteronormativas que pautam o sistema valorativo nos estudos sobre arte, literatura e cultura. A ênfase nas relações literatura/artes/cultura, alimentada pelo enfoque interdisciplinar, possibilita a emergência de categorias analíticas da diferença como gênero, raça, classe e sexualidade na investigação de representações identitárias em sua dimensão estética e em sua projeção política. Como a literatura latino-americana, a partir das vozes dos exilados sexuais, dos sujeitos abjetos e dos dissidentes de gênero, tem respondido aos abusos, aos desmandos do poder e ao terrorismo de Estado da cultura etnocêntrica, patriarcal e heteronormativa mascarados de nacionalismo? Interessam aqui, particularmente, as experimentações e o questionamento realizados no campo dos estudos literários pela teoria queer e a textualização de diferentes formas de contestação e de resistência frente ao poder estatal no campo da produção literária latino-americana.

Responsáveis:

Anselmo Peres Alós
José Veranildo Lopes da Costa Junior
Thays Keylla de Albuquerque
Wanderlan Alves da Silva
Conforme indica Birman (1991), a multidisciplinaridade é a marca do campo da saúde coletiva, já que sua problemática demanda diferentes leituras e permite a construção de diferentes objetos teóricos; a partir daí, este simpósio temático objetiva congregar estudos sobre Saúde LGBT em interface com as múltiplas expressões de sexualidade e gênero em corpos dissidentes e resistentes no contexto do Sistema Único de Saúde. Priorizam-se pesquisas que discutam, através de uma perspectiva interseccionalizada, as diversas experiências de corporalidade em viver a identidade de gênero, orientação sexual e outras práticas dissidentes à heteronormatividade compulsória, os processos de saúde-doença, e os desafios para a garantia da equidade, universalidade e descentralização dos serviços e equipamentos de saúde nos espaços urbanos e interioranos para os usuários LGBTs. Vale ressaltar que, nos últimos anos, as políticas públicas para a saúde LGBT evoluíram consideravelmente em diversas regiões brasileiras, em especial no estado de Pernambuco; entretanto, algumas visões ainda presentes no ideário sociopolítico brasileiro reafirmam os sistemas de (auto)controle dos saberes sobre os corpos, e consequentemente sobre as sexualidades, ocasionando, via de regra, atos discriminatórios, misóginos, preconceituosos e machistas para com as dissidências de gênero e sexualidade, inclusive nos espaços de saúde. Desse modo, adicionalmente, espera-se dialogar com estudos que explorem não somente os possíveis preconceitos institucionais, mas as estratégias de enfrentamento contra os recentes desmontes das políticas de saúde que ameaçam diretamente a população LGBT.

Responsáveis:

Vladimir Porfirio Bezerra
Suzana Konstantinos Livadias
Robson Aparecido da Costa Silva
Luiz Válério da Cunha Junior
Nos últimos trinta anos as taxas de encarceramento da América Latina têm aumentado de maneira vertiginosa, sobretudo no tocante ao encarceramento de mulheres. No Brasil, país com a 3ª maior população carcerária do mundo, os debates sobre criminalidade e do sistema penitenciário têm ocupado lugar de destaque na esfera pública. Neste contexto, o Seminário Temático “Gênero e sexualidade na prisão: (des)possibilidades éticas em tempos sombrios” pretende reunir estudos, pesquisas e reflexões cuja abordagem as questões de gênero, sexualidade e instituições prisionais. Serão aceitos trabalhos produzidos em diversos campos do saber (antropologia, direito, educação, psicologia, saúde, serviço social, etc.) e que operem com diferentes perspectivas teóricas: criminologia crítica, criminologia queer, etnografia, estudos genealógicos, fenomenológicos, relatos de experiência, entre outros. Interessa-nos compreender como as regulações, relações de poder, dinâmicas de funcionamento e práticas institucionais de controle individual e/ou populacional operadas nas prisões brasileiras e latino-americanas recaem sobre corpos dissidentes dos parâmetros normativos de gênero e sexualidade. Tais sujeitos, que podem se identificar como mulheres, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais ou também de maneira mais fluida (como monas, bichas, sapatões, envolvidos, maridos) são sujeitos de práticas específicas de tratamento penal; práticas que muitas vezes se articulam a formas de discriminação por classe e raça/etnia. O número ainda reduzido de pesquisas sobre essa temática e sua importância para a redução da vulnerabilidade desses sujeitos torna fundamental aprofundar o conhecimento sobre o fenômeno do encarceramento em suas articulações com o gênero e com a sexualidade. Aprofundar as análises nesses temas tem se tornado cada vez mais urgente, sobretudo considerando os recentes marcos paradigmáticos como a regulamentação da retificação de prenome e gênero no registro civil e o processo que atualmente corre no Supremo Tribunal Federal que discute o tratamento penal de LGBT.

Responsáveis:

A. Gustavo da Silva Passos
Ana Gabriela Mendes Braga
As discussões empreendidas neste simpósio buscam jogar luz às mais diversas questões que envolvem o crescente número de suicídios ocorridos entre a população LGBTI. Consideramos que todo o conhecimento produzido sobre este tema, nas mais diversas áreas de estudo e vivências, são fundamentais para que possamos entender a problemática e pensar (de maneira rizomática) possíveis estratégias de enfrentamento aos fatores determinantes das ideações suicidas e suicídios consumados por tais sujeitos. Só assim será possível estruturar mecanismos de (re)existência e (sobre)vivência ao caos social que vilipendia historicamente a saúde física e mental das pessoas LGBTI. Etimologicamente, a palavra “suicídio” possui raízes latinas e deriva da junção do pronome sui (si mesmo) ao verbo caederes (ação de matar), significando, portanto, o ato voluntário por meio do qual o indivíduo intenciona e provoca a própria morte. Como um tabu que atravessa os séculos cercado de variados estigmas e crenças, o suicídio é socialmente invisibilizado por ser considerado um tema proibido, sobre o qual há poucos consensos e que, preferencialmente, deve ser evitado. Quando se trata do suicídio da população LGBTI, esse tabu torna-se ainda mais explícito, dado que o mesmo contexto social que o produz, o invisibiliza e nega suas peculiaridades. A Organização Mundial de Saúde aponta que as taxas de suicídio são mais elevadas em grupos que sofrem discriminação histórica e ostensiva como refugiados e migrantes, indígenas, LGBTI e pessoas privadas de liberdade. Nesses casos, cabe salientar que a vulnerabilidade que os torna mais inclinados ao suicídio não reside na sua condição em si. Ou seja, não é o fato de ser LGBTI que aumenta a vulnerabilidade desse grupo, mas a forma como a sociedade lida e acolhe esses indivíduos. Reconhecer a rede de causalidade envolvida no suicídio das pessoas LGBTI é de suma importância para que se possa atuar preventivamente frente ao crescente número de vítimas deste fenômeno.

Responsável:

João Luís da Silva
Em continuação com a proposta apresentada no Desfazendo Gênero 2017, este Simpósio Temático visa a apresentar uma leitura interseccional e interseccionada da teoria Queer e do campo dos Estudos sobre dissidência sexual e de gênero. No contexto transnacional, fala-se de uma Crítica Queer não branca (Queer of Color Critique); e no Brasil? Poder-se-ia dizer que uma primeira versão brasileira do Queer of Color se apresenta na cena, evocada por Jota Mombaça (2017), relativa à impossibilidade de reverter a injúria, na qual se entrelaçam diferentes formas de opressão. A relevância deste ST consiste, assim, na proposta de uma abordagem descolonizada dos Estudos Queer e da dissidência sexual. A proposta deste ST é justamente a de mapear as novas produções e leituras brasileiras do Queer, que integrem os marcadores de raça, classe e nacionalidade, assim possibilitando uma interpretação desta teoria a partir de uma perspectiva Sul-Sul. Nesta linha, trabalharemos as principais correntes, discussões e categorias elaboradas pela Crítica Queer of Color (REA; AMANCIO, 2018), tendo em vista a importância de fortalecer uma interpretação brasileira do queer, preocupada com o enfrentamento dos diversos e interligados fatores de dominação.

Responsável:

Caterina Alessandra Rea

IV SEMINÁRIO INTERNACIONAL DESFAZENDO GÊNERO

Corpos dissidentes, corpos resistentes: do caos à lama